O filme "Felicidade por um fio" e a alegria de ser quem a gente quiser

Foto: Reprodução/Netflix

A Netflix estreou a última semana o filme “Nappily ever after” (em português “Felicidade por um fio”) que conta a história da Violet, uma publicitária perfeccionista com problemas na vida amorosa que embarca em uma jornada de autoconhecimento começando pelo visual radicalmente novo. Depois de viver uma desilusão amorosa ao não ser pedida em casamento pelo homem de sua vida, Violet se encontra perdida, questionando principalmente suas questões internas como mulher e se perguntando também onde é que ela errou no caminho.

Sua relação com o cabelo é definitivamente algo que a maioria, com certeza, das mulheres negras conhece muito bem. A busca pela perfeição, o cabelo bem esticado e principalmente a aceitação das pessoas sempre foram características de uma cobrança que, muitas vezes, começava dentro da própria casa. Todo mundo que passou (ou ainda vai passar pela transição capilar) se lembra de uma figura presente em nossa vida questionando e reforçando o estereótipo de cabelo liso e bem cuidado.

Violet, apesar de tudo, é uma mulher forte desde o início e precisa repensar suas vivências e como ela se enxerga através do espelho a partir dos problemas que vão acontecendo em sua vida. Sem dar spoiler, o filme é uma verdadeira lição sobre auto aceitação que traz a transição capilar da mulher negra de uma maneira leve questionando a cultura do padrão perfeito de forma recorrente.

Foto: Reprodução/Twitter

Muito além do cabelo, a crítica se constrói também em torno da maneira tóxica que a sociedade impõe a perfeição para as mulheres e como ela mexe negativamente com a vida de todas essas pessoas. O filme “Felicidade por um fio” é definitivamente o filme que pode te fazer repensar este problema cultural bem estruturado que nos atinge. Serve também de reflexão para todos que falaram que o “cabelo liso é mais bonito” ou “cabelo crespo é bagunçado”.

Acima de tudo, a decisão de assumir o cabelo da sua forma mais bonita e única é uma decisão inteiramente pessoal. É necessário que as mulheres alisem o cabelo porque elas querem alisar e não porque a sociedade diz que o cabelo crespo é feio. E é necessário também que as mulheres que assumiram seus crespos e cachos, assim como eu, sejam livres para cuidar e viver da maneira que bem entenderem.

Nós somos a revolução. Nosso cabelo é parte de quem somos. Devemos, acima de tudo, acreditar em nossos ideais e refletir no espelho aquilo que nós achamos que é bonito – não o que é imposto pela sociedade. Só a gente pode mudar isso!

E se você quer entender um pouco mais sobre como essa mudança acontece de dentro para fora (ou de fora para dentro, como foi comigo), assista “Felicidade por um fio”, disponível na Netflix.

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