Meu, pra sempre meu cão

março 20, 2011
Chegou tão miúdo e tão magrinho. E vai fazer falta. MUITA FALTA.

Quase dez anos não representa somente a sua idade, representa o tempo de cumplicidade e carinho que ele me proporcionou. Foi apelidado de Pit por ser da raça pinscher e ninguém entrar em um acordo para o nome. Sou capaz de me lembrar nitidamente da noite em que chegou: Eu voltava da praia e ele estava aqui em minha casa, aos prantos. Tão pequenininho e tão assustado ao mesmo tempo. Me fez ficar a noite inteira em claro, acudindo-o enquanto meu cachorrinho incisivamente permanecia latindo. Os anos se passaram e o carinho foi crescendo cada vez mais. Meu primeiro cachorro, meu primeiro animalzinho, simplesmente meu.

Posso não ter sido a melhor dona, mas permanecer cada minuto com ele me fez a criança mais feliz do mundo. Lembro de todos os seus latidos, todas as noites em que ele virava latindo debaixo da janela do meu quarto, todas as brincadeiras, todas as roupas, chinelos e objetos que ele destruiu. Lembro do coração estampado que ele tinha próximo as patas. Coração esse que foi se desfazendo a cada dia que sua doença piorava e ele emagrecia.

Cada pedacinho de mim dói por saber que ele se foi e que não voltará mais. Ai, que falta vai fazer. Lembro de quando ouvia barulho e ia até a varanda ver o que estava acontecendo e lá estava ele enrolado em um edredom que ele mesmo puxou do varal. Era a coisa mais fofa de se ver. Quando meu segundo cachorro morreu ainda filhote, foi o Pit que permaneceu ao meu lado enquanto via que eu me desmanchava em lágrimas. Arrumava briga com os vizinhos e quando pequeno, não era capaz de subir um degrau de escada sozinho. Quando velho, desenvolveu uma epilepsia e foi se agravando a cada dia que se passava.

Mordia qualquer pessoa, tinha um latido fino e chato. Com o tempo, virou uma bolinha de pêlos brancos e pretos e foi se desanimando. Corria atrás de pequenos bichos e tinha pavor que batessem palmas perto dele. Tinha medo de gatos e se irritava com luz de lanterna. Sempre que eu o via em dias de chuva, ele aparecia ao meu lado e ficava deitado debaixo da mesa enquanto eu estudava. Era um cão animado, mas com nove anos a idade já não o permitia fazer tanta coisa.

Nos últimos dias de vida, já não andava e simplesmente esperou a manhã de hoje pra dar o último suspiro em meus braços e fechar os olhos.

Uma das poucas fotos que eu tenho. Creio que ele tinha uns 7 anos nessa foto.

É, você se foi.Obrigada por cada sorriso que você me proporcionou e por ter me mostrado o quanto animais também tem sentimentos. Obrigada simplesmente por ter existido e entrado na minha vida. Obrigada.
Pit, 23/10/2001 à 20/03/2011
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