Malditas borboletas!

setembro 26, 2011


Uma leve embriaguez causada pelo sono. Um enorme vazio causado pela falta delas. Desde quando resolveram sair por aí, ela ficou assim, com um buraco localizado próximo ao coração e que lhe castigava a alma toda vez que pensava porque havia deixado-as ir. O “elas” em questão? As borboletas. Essas que voam de estômago em estômago procurando vítimas, deixando calafrios e borrando maquiagens. Essas que vem, mas que logo vão porque simplesmente já cumpriram seu papel.

Papel esse que ela nem entendia qual. Se dependesse somente dela, as manteria ali, guardadas em vidros só pra privar outras pessoas do sofrimento pós-borboletas. Porque o amor havia acabado e elas haviam deixado boa parte do que nunca sonhara viver. Ela não sentia falta dele ou delas. Ela sentia falta do que era antes de tudo isso, sentia raiva dos planos e morria lentamente toda vez que não tinha o abraço que ela tanto esperava.

Aquelas míseras borboletas! Quanta raiva partilhava por pensar que elas também haviam abandonado-a. Saber que seguiria com um vácuo e pequenos outros animais (que jamais lhe trariam tanta felicidade) causava-lhe repulsa e isso ela odiava admitir. Para tanto, ela esperava pacientemente o tempo passar. Ela sabia que novas sensações surgiriam e torcia com todas as forças para o retorno das tão temidas borboletas que insistiam contrariamente freqüentar estômagos alheios. 
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