Só mais uma carta sem sentido algum...

setembro 06, 2011


O jogo virou e eu estou de ponta-cabeça. A confusão se inverteu e agora, eu me encontro completamente muda a mercê de todos os acontecimentos. Porque isso nunca fez parte do que um dia eu planejei. Isso fazia parte do que você um dia quis por nós dois. E eu, pobre de mim, sempre estive tão firme no chão que não me permiti sentir um dia sequer. E se senti, foi completamente contra meu querer. Aliás, senti porque um dia quis que você sentisse por nós dois. Amar por dois deve doer, né?

Sinto muito se é assim que tem que ser. Você sempre soube que se não fosse pra me fazer voar, então era melhor você nem tirar meus pés do chão. Por pura teimosia, foi o que fez. Abraçou-me tão forte e nem me presenteou com asas. Usei das tuas enquanto pude. E agora, que não posso mais, não sei o que fazer. Você levou o que de melhor eu mantive e em troca deixou toda sua saudade. Saudade, aliás, de uma vida que viveu sozinho (ou por dois, como preferir.).

Sinto muito por saber que teve que ser assim. Sabe como é, me faltou estrutura e você, em contrapartida, nunca se preocupou com tal condição. Diferenças a parte, você é o culpado. Dizer que simplesmente agiu sozinho nesse complô que nos destruiu pouco a pouco é melhor do que assumir a condição de que fui responsável por jogar ambos em um buraco sem volta. Não foi assim. Não quero acreditar que foi assim.
Sem mais lástimas ou pedidos. Já era hora de você ir.

De um anjo com asas cortadas, Cady
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