Quase socorro

maio 30, 2014

Levantar da cama era quase um sacrifício. Quase. O frio lá fora a incomodava muito, mas o coração quase gelando era o que a preocupava ainda mais. Transbordava sem dizer, reclamava sem necessariamente falar.  Quem sabia, se recusava a ajudar e ela optava por quase sempre a ficar calada.

A garganta ardia toda vez que o fim da tarde chegava. O estômago doía regularmente e sempre que percebia, sentia seu corpo gritar. Ela sabia que a dor nas costas era exatamente porque os sentimentos andavam pesados demais para ela suportar. As lágrimas escorriam sem ela ao menos perceber e aqueles calafrios eram quase que insuportáveis.

Gritar por ajuda nunca foi seu forte. Falava como podia, do jeito que queria. Quando o tempo deixou de existir, a leveza desapareceu e o limite foi chegando cada vez mais perto. Ela sabia que ainda não tinha chegado no seu máximo e isso é o que mais a atormenta: saber que ainda pode existir muito mais.

Quando já não conseguia completar uma frase sem conseguir pensar em outra coisa, percebeu que o cansaço estava além do que deveria. De manhã, olhou discretamente para os calmantes ao lado da cama e jamais imaginou que era aquilo que tomaria naquela altura da vida. Acordou para mais um dia. Respirou fundo, agradeceu pela chance de recomeçar e (sobre)viveu. 
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