Por que o feed do Instagram te faz mal?


2018 não foi um ano bom em vários sentidos da minha vida. A começar pela interminável lista de metas que teve apenas um item cumprido pela metade. Terminei o ano me cobrando além da conta com a sensação de fracasso: eu não consegui ser nem metade do que planejei me tornar. Hoje, alguns dias depois e de cabeça fria, temo que essa sensação não seja unicamente culpa minha e tenho a certeza de que não sou a única a senti-la.

Em tempos de ouro do Instagram, a saúde mental das pessoas que consomem o aplicativo diariamente vem sendo colocada à prova a cada minuto. A sensação é de que só você não está viajando pelo mundo ou nem conseguiu ir até a praia na cidade ao lado simplesmente. Só você não enriqueceu. Só você não bateu as metas anuais. Só você continua no mesmo emprego de merda. Só você não ficou sarada. Só você não adotou um cachorro novo. Só você.

Apesar dos grandes esforços de seguirmos apenas aqueles perfis que nos fazem bem, a gente sabe que não é bem assim que funciona. A nossa bolha particular existe, mas ela não é impenetrável. E longe de mim dizer que essa sensação é ocasionada apenas porque eu sigo meia dúzia de perfis no Instagram que não me fazem tão bem. É um conjunto de fatores diretamente relacionados a quantidade de tempo que a gente fica na internet e a cobrança socialmente imposta – com um plus daquela insegurança que só a gente sabe que tem.

Eu sei que já falei disso aqui no blog, mas eu sei também que tenho amigas ficando doentes por conta dessa pressão. Tenho amigas magras dispostas a emagrecer ainda mais para ficar com corpo sarado daquela atriz global. Amigas que desativaram seus perfis na internet porque tem medo do julgamento das pessoas e do que elas vão falar a cada postagem. Pessoas como eu que começaram a esconder seus trabalhos e deixaram de realizar sonhos por medo dos comentários alheios e, pior, deixaram de acreditar em seu próprio potencial.

Eu não sei bem o que a internet anda fazendo com a gente, mas sei que ela lentamente começou a destruir a autoestima de muitas mulheres incríveis que me rodeiam. E sutilmente começou a criar sensações autodestrutivas que minam a nossa vontade de ser verdadeiramente quem a gente é e também de mostrar para o mundo quem somos de verdade.

Não sei bem se estou em uma posição confortável para visualizar um futuro positivo para a web. Um futuro em que ela tira das nossas costas esse peso insuportável da pressão que é ser uma mulher linda, feliz, rica, forte e realizada todos os dias. Mas sabemos também que o movimento contra essa internet que deprime vem crescendo cada vez mais no mundo e no Brasil com perfis como da @Contente.vc, com a campanha #AInternetQueAGenteQuer que debate exatamente esses pontos para reverter essa triste situação, e da Carla Lemos do blog Modices, que com o seu jeito leve de viver a vida traz diariamente dicas para aliviar essa pressão e levar a vida de uma maneira muito mais leve.

Gosto de pensar que os problemas são muitos, mas as soluções também. Acho até que podemos começar nos afastando daquilo que não nos faz bem. Aquele unfollow terapêutico naquele perfil que você nem gosta tanto, uma troca sensata que te permite sair do Instagram e fazer algo por você mesma (nem que seja só por 5 minutinhos). Gosto de pensar realmente que as possibilidades são infinitas. E o mais importante: que, nesse novo ano, a gente saiba sempre reconhecer essa sensação de auto sabotagem e que não se deixe nunca levar pela comparação e pela vontade de ser quem a gente não é (e as vezes nem tem tanta vontade de ser assim).

Vamos refletir? Por que o feed do Instagram deixa a gente tão mal? 

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